sábado, 31 de maio de 2014

Templo de Salomão, nova sede da Igreja Universal



O BISPO EDIR MACEDO INVESTIU 685 MILHÕES DE REAIS E COMPROU QUARENTA IMÓVEIS NO BRÁS PARA PÔR DE PÉ A IGREJA QUE TERÁ CAPACIDADE PARA 10 000 PESSOAS E ÁREA CONSTRUÍDA QUATRO VEZES MAIOR QUE A DO SANTUÁRIO DE APARECIDA


Vídeo Exclusivo, vista Aerea do templo no bairro do Brás

30.mai.2014 | Atualizada em 31.mai.2014 por João Batista Jr.

Em 1977, o pastor Edir Macedo começou sua carreira de pregador em cima de um coreto no subúrbio do Rio de Janeiro. Só algum tempo depois conseguiu dinheiro suficiente para alugar o primeiro imóvel da Universal do Reino de Deus, um ponto vago deixado por uma funerária, com capacidade para apenas 100 pessoas.

Passadas quase quatro décadas desde esse início modesto, o autointitulado bispo, dono de uma fortuna pessoal estimada em 1,1 bilhão de dólares, segundo a revista americana Forbes, controla a maior igreja evangélica neopentecostal do país, com 6 500 endereços no Brasil (1 010 dos quais no Estado de São Paulo e 246 na capital), além de outros negócios, a exemplo da TV Record e de uma participação de 49% no Banco Renner.

O grande símbolo desse crescimento vem sendo erguido desde 2010 em um trecho da Avenida Celso Garcia, no Brás. Trata-se do Templo de Salomão, concebido nos mínimos detalhes para ser um novo cartão-postal religioso.



Imagem aérea do suntuoso templo do bispo Edir Macedo (Foto: Repdodução Mario Rodrigues)

+ Templo da Igreja Universal briga para não pagar impostos sobre materiais
+ Construção do bispo Edir Macedo inflaciona o preço de imóveis
Estima-se que a obra tenha consumido 685 milhões de reais em investimentos. Ela possui 100 000 metros quadrados de área construída e é quatro vezes maior que o Santuário Nacional de Aparecida, que perderá nesse quesito o posto de maior espaço religioso do país para a nova sede da Universal.

Os detalhes de acabamento do templo incluem cadeiras trazidas da Espanha para acomodar um público de 10 000 pessoas, mármore rosa italiano e oliveiras importadas de Israel, sem falar da tecnologia embutida.

Entre outras engenhocas, o local terá uma esteira rolante destinada a carregar o dízimo dos fiéis do altar direto para uma sala-cofre, um telão de mais de 20 metros de comprimento e 10 000 lâmpadas de LED instaladas no teto do salão principal, que tem pé-direito de 18 metros.

Quando estiverem funcionando, as luzes formarão desenhos variados, como estrelas. De tão potentes, elas conseguirão iluminar a Bíblia de cada um dos visitantes. As paredes são decoradas por imensas menorás, candelabros de sete braços comuns em sinagogas.







O projeto, que já contou com cerca de 1 800 operários no auge da construção, encontra-se em fase de acabamento. A área construída tem espaço ainda para mais de cinquenta apartamentos, que serão ocupados por pastores, incluindo o que foi preparado para ser anova residência de Edir Macedo.

O bispo fez no ano passado a promessa de só cortar a barba quando tudo estiver pronto, em 31 de julho, data em que ocorrerá a festa de inauguração com a presença da presidente Dilma Rousseff, do seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, do governador Geraldo Alckmin e do prefeito Fernando Haddad, entre outras autoridades. Até lá, a política é manter o maior segredo possível. Nos últimos meses, funcionários da Universal circulavam pelo local usando capacete com o logo da igreja, a fim de fiscalizar qualquer tentativa de vazamento de informações.

Os mais de cinquenta fornecedores de materiais e serviços da construção assinaram um contrato de confidencialidade. Nele consta que o acordo seria rompido em caso de divulgação de detalhes do interior do projeto. “Conheço gente que postou foto numa rede social e foi demitida”, conta um dos empresários envolvidos no trabalho. Apesar de todos os cuidados, alguns registros acabaram circulando, como os reproduzidos nesta reportagem.




(Foto: Mario Rodrigues)


Na vasta relação de particularidades suntuosas da igreja, nada supera o altar. Ele tem o formato da Arca da Aliança, descrita na Bíblia como o local em que orei Davi guardou os Dez Mandamentos no primeiro Templo de Salomão, construído no século XI a.C., em Jerusalém.

Edir Macedo mandou revestir toda a estrutura da peça com folhas de ouro. Ao fundo, há um batistério com uma piscina na qual os convertidos poderão entrar vestidos de branco e, então, passar a comungar na cartilha da Universal. Acima, foram instalados 100 metros quadrados de vitrais dourados. Quem estiver na plateia terá a sensação de admirar uma caixa de ouro aberta. Todo o ritual será transmitido por dois telões trazidos da Bélgica, presos nas paredes ao lado do palco.



(Foto:Reprodução)



Foto: Mario Rodrigues)

Ao criar o prédio no Brás, Edir Macedo não pensou em agradar apenas a seu público cativo. De olho nos turistas de religiões variadas, o complexo contempla um museu do Velho Testamento, batizado de Memorial. O local terá um telão, auditório e doze colunas para explicar a origem das doze tribos de Israel. Um jardim com oliveiras importadas de Israel relembra o Monte das Oliveiras, onde Jesus passou sua última noite na Terra antes de ser crucificado.




Edir Macedo e a mulher, Ester: promessa de não cortar as barbas até que as obras sejam finalizadas
(Foto:Reprodução)



A obsessão pelos detalhes fez com que o bispo também importasse de Israel todas as pedras que revestiriam a obra. Foram mais de 40 000 metros quadrados de material trazido de Hebron, a antiga capital do reino de Davi. Trata-se do mesmo revestimento do Muro das Lamentações.

O material da Universal teve um acabamento mais lapidado e menos poroso. Funcionários da obra fizeram suas orações ajoelhados e com as mãos encostadas na parede. É possível que o local se transforme em uma espécie de muro das lamentações paulistano.

O segurança do trabalho Márcio Kohler, de 47 anos, está na construção da igreja do Brás desde 2011. Nesse período, conta ter encontrado nódulos no intestino. “Num primeiro momento fiquei apreensivo, mas passei a meditar nas promessas de Deus”, diz ele, a respeito da suspeita de câncer. Trabalhar na igreja o teria ajudado a se curar sem precisar passar por cirurgia.




Fachada da Universal, na Avenida Celso Gracia, 1989: começo modesto Foto: Juca Rodrigues/ Folha Express






Entre o projeto e a conclusão da obra, mais de 2 000 plantas de engenharia foram desenhadas. Para ganhar espaço suficiente para a execução do negócio, a Universal comprou cerca de quarenta imóveis e terrenos no quarteirão da Avenida Celso Garcia. No começo, pagava uma ninharia (a região é decadente e cheia de sobrados caindo aos pedaços). Mas o interesse da turma de Edir Macedo inflacionou o mercado.

No mês passado, por exemplo, a igreja precisou desembolsar 1,7 milhão de reais por um sobrado de 220 metros quadrados que abrigava um salão de beleza. “Fazia mais de quatro anos que estavam querendo comprar meu espaço”, lembra o ex-proprietário Braulino Pereira.




Rivaldo Moraes, que não topou vender seu apartamento à igreja: "vivo sobe terror ( Foto: Mario Rodrigues











O sonho do momento da Universal é pôr abaixo o Edifício Vidago, na Avenida Celso Garcia, que esconde boa parte da visão do templo para quem passa pela via. A igreja já conseguiu comprar trinta dos quarenta apartamentos do prédio. No começo, pagava 90 000 reais por unidade. Hoje, as negociações não começam por menos de 2 milhões, o milagre da valorização. Pastores ocupam esses imóveis adquiridos.

Como estão em maioria, decidiram trocar o síndico e querem agora instalar um elevador novo (o último foi trocado há apenas cinco meses). “Eles planejam deixar o condomínio caro para tirar quem ainda restou”, acusa o comerciante Rivaldo Cunha de Moraes, dono do apartamento de número 65 há 31 anos.

“Eu vivo sob terror psicológico.” Em março de 2011, segundo ele, cinco vizinhos que não haviam aceitado vender seu imóvel acordaram com um saco de pano vermelho na porta. Dentro de cada um havia uma galinha preta morta.

Na ocasião, os moradores fizeram um boletim de ocorrência no 12º DP, no Pari. Como não conseguiu demolir o prédio, a Universal faz neste momento uma grande reforma para deixá-lo mais bonito para a inauguração da nova sede.





A comerciante Fátima Hajar, dona de um imóvel de dois dormitórios com vista privilegiada para o lugar: "Quero vender o apartamento por 800 000 reais"
(Foto: Mario Rodrigues)



Oficialmente, a Universal diz que a verba para o projeto veio das contribuições dos fiéis, entre elas o dízimo. Nos últimos anos, durante os cultos, os pastores afirmavam aos seguidores que todos eram donos do espaço.

Por isso, colaborações seriam necessárias. Foram vendidos camisetas, canetas, canecas e outros utensílios para arrecadar dinheiro. “Deixei meu apartamento na região da Avenida Paulista para morar aqui no Brás, de frente para a construção, e vê-la ser levantada tijolo por tijolo”, conta Nadir Nunes, que trabalha com eventos.

Ela comprou diversos objetos para ajudar, além de já ter garantido um passe que lhe dará acesso ao templo antes da inauguração oficial — pastores de algumas unidades da Universal têm distribuído vale-entradas aos fiéis mais assíduos, que poderão começar a romaria ao lugar a partir de 20 de julho. “Essa igreja vai trazer muitos turistas para o Brás.” Pensando nisso, a comerciante Fátima Hajar pretende vender seu apartamento de dois dormitórios com vista privilegiada para a nova igreja. “Vou pedir 800 000 reais”, planeja.







Nadir Nunes: ela se mudou da Bela Vista para o Brás para acompanhar a construção da igreja
(Foto:Mario Rodrigues)



O tamanho do projeto tem atraído críticas das alas mais tradicionais de evangélicos. “Para nós, aquilo não tem nenhuma referência espiritual”, afirma Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. Ele acredita que a obra vai fortalecer os devotos da Universal, pois todos ajudaram na construção e ficarão assim mais unificados.


Malafaia ressalta, no entanto, o risco de ocorrer algo que para os evangélicos é condenável: a adoração. “O povo vai querer ir lá e tocar a pedra vinda de Israel, mas a crendice não faz parte dos evangélicos.


Não adoramos lugares nem pessoas.” Para o professor Rodrigo Franklin de Sousa, especialista em história e arqueologia bíblica do Mackenzie, o gigantismo do empreendimento tem a função principal de atrair fiéis pelo sonho do sucesso. “Por ser grande e ostensivo, passa o recado de ascensão social e profissional”, diz.


Sousa lembra que a estratégia de construir templos enormes existe há séculos entre os católicos e muçulmanos. “No caso do cristianismo e do islamismo, porém, o paraíso se dá depois da morte. Para a Universal, a felicidade e a riqueza espiritual e material ocorrem aqui na terra. Daí ser grande, para provar essa tese.”

Fonte: http://vejasp.abril.com.br/materia/templo-de-salomao-igreja-universal31/05/14

quinta-feira, 29 de maio de 2014

As igrejas e a política: O manifesto de Tiago




Judson Canto
Lembro-me da euforia — e da polêmica — que tomou conta das Assembleias de Deus na década de 1980, quando a nossa denominação descobriu a política. Nessa época, a filantropia já era organizacional, e, com a eleição de nossos irmãos na fé para os diversos escalões de governo, estávamos felizes por apagar de vez o estigma de instituição alienada. Mas a nossa nova imagem — se é que realmente a conquistamos — não nos eximiu das antigas dúvidas. Afinal, a Igreja tem ou não obrigações sociais? Deve ou não eleger representantes?
Quanto mais penso no assunto, mais me convenço de que nessas questões nos arriscamos a cometer um grande equívoco: o de fazer o que é certo e o que é lícito, mas pelos motivos errados. É também minha convicção que igreja alguma se oriente por programas políticos ou sociais. Contudo, a Bíblia, em Tiago 1.27, apresenta-nos este manifesto: “A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo”. É por ele que devemos nos guiar.
As obrigações sociais
Por um bom período, a nossa denominação praticamente ignorou as obras de assistência social. A evangelização era a única prioridade e só enxergava as almas perdidas, sem lhes perceber o invólucro — o corpo — faminto ou doente. Éramos puros, cheios de fé e de amor, todavia maculados pela omissão. [Hoje penso que talvez houvesse mais caridade voluntária, porém a denominação não se caracterizava por isso.] Mas quando finalmente removemos a mácula de nossa religião, ficamos expostos à impureza, porque — este é o ponto — a Igreja não pode fazer caridade por obrigação social ou apenas para melhorar a sua imagem. [Acrescento que algumas igrejas fazem caridade como “tática de evangelização”, sem real interesse pela situação da pessoa, exceto no que diz respeito à sua “alma”.]
O manifesto de Tiago tem por base o principal ensino da epístola: as boas obras são o produto natural da fé verdadeira e do amor ao próximo. Se a nossa caridade reflete uma consciência pesada ou resulta de pressões externas, estamos corrompendo a Palavra. Se nos negarmos a socorrer o próximo, a fé que professamos é morta. Desse modo, concluímos que a Igreja não tem “obrigações sociais”, e sim o dever de professar uma fé verdadeira com as suas naturais consequências: as boas obras.
Os representantes
Bem, os motivos de a Igreja estar fazendo caridade podem não ser identificáveis à primeira vista, mas o equívoco, a meu ver, é evidente na questão política. Na época em que “descobrimos” a política, os candidatos brotavam com a ligeireza de certas gramíneas, alastrando-se pelos templos florescentes de cidadania, proclamando-se e sendo proclamados representantes da Igreja. Não discuto a existência de políticos em nosso meio. O que nunca entendi foi a declarada representação.
Ora, representar significa reproduzir. Então, o que estamos pretendendo? Um ramo estatal? Uma mistura de poder espiritual com poder político? A história já nos mostrou que essa combinação é sinônimo de desgraça social e espiritual. É nobre e bíblico desejar a justiça, mas o caminho com certeza não passa pelos pretensos e pretendidos representantes.
Se queremos representantes no poder, é certo que desejamos governar — e mais certo ainda que iremos nos corromper. O motivo? Simples: governar não é missão da Igreja, porque ela acabará se expondo a um bombardeio de tramas e interesses e obrigando-se a concessões que jamais faria como Igreja. Por fim, terá de renunciar ao seu propósito original. E assim um país dirigido pelas Assembleias de Deus — ou pelos seus representantes — não garantirá uma sociedade mais justa. Na verdade, não será melhor que um governo oficialmente católico nem mais desejável que um Estado muçulmano.
A Igreja deve ser o sal da terra, além de ela mesma “guardar-se da corrupção do mundo”, como refere o manifesto de Tiago. Claro, é lícito a Igreja dar o seu voto de confiança a membros vocacionados para a política. Mas parece que nem isso sabemos fazer. Depois da última eleição, vários deputados federais evangélicos apareceram numa lista negra acusados de atos políticos reprováveis. E eles ainda nem haviam assumido! Ou seja, nosso sal foi “pisado pelos homens” mesmo antes de tocar o solo brasiliense.
Possamos nós, com a graça de Deus, simplesmente continuar como Igreja!
Publicado pela primeira vez no Mensageiro da Paz, no final da década de 1990.



Fonte: http://arsenaldocrente.blogspot.com.br/2014/05/as-igrejas-e-politica-o-manifesto-de.html

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Seja nosso parceiro ! kelem Gaspar



Ajude os trabalhos evangelísticos e missionários desenvolvidos pelo projeto Campos Brancos aqui em Maracanã. Estamos atendendo 82 crianças diariamente na creche escola missionária Peniel e isso sem nenhuma ajuda pública, só pela fé. Também temos as nossas quatro alunas internas no curso de missões, quatro missionárias jovens que tem dedicado suas vidas ao Senhor. Estamos abrindo respectivamente o trabalho missionário em duas comunidades ribeirinhas. Os desafios são enormes.
Que tal ajudar? Não podemos recompensar, mas nos comprometemos a orar por você.
Mande sua oferta para Banco do Brasil, ag 1436-2. Conta 6993-0 ou Bradesco, Ag 0697, conta 523.164-7.
Você também pode vir aqui ou mandar pelo correio alguma ajuda. Precisamos de material de higiene, material escolar, roupas e calçados, roupas de cama e toalhas, livros evangélicos, material de escritório, alimentos não perecíveis ou qualquer outra coisa que Deus colocar no seu coração.
Se cada um fizer a sua parte, todas as necessidades serão supridas.
Nosso Endereço: PA 127, km 39, Ramal caiacá, 0. Maracanã-PA. 68710-000.
Qualquer dúvida, telefone, terei o maior prazer em atender. (91) 96321640. kelem Gaspar.






















Fonte: http://missionariakelem.blogspot.com.br/2014/05/seja-nosso-parceiro.html

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Filipinas: seis meses após o Tufão

MSF permanece no país, mas reduz atividades


© Juan Anibal Ordenes Vera/MSF

8 de maio de 2014 - Seis meses depois de o tufão Haiyan atingir as Filipinas, equipes da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) ofereceram cuidados de emergência e atendimento a problemas de saúde rotineiros em hospitais e clínicas móveis, distribuíram água limpa e ajudaram no reparo de redes de esgoto e centros de saúde em algumas das regiões mais afetadas.

Na medida em que os esforços voltados para a reconstrução tiveram continuidade, MSF se retirou de áreas onde sua assistência não é mais necessária e permaneceu em locais onde o sistema de saúde ainda não se recuperou.
“Todos os dias, você vê as coisas mudando em Guiuan”, afirma Laurence de Barros-Duchene, coordenador de emergência de MSF na cidade, uma das primeiras regiões a serem atingidas pelo tufão. “As estradas foram liberadas, a energia elétrica e o suprimento de água foram restabelecidos e para onde quer que você olhe, você vê pessoas reconstruindo suas casas.”

Em Guiuan, MSF está prestando suporte ao hospital de 50 leitos que oferece cuidados de saúde a cerca de 11 mil pessoas. O hospital foi construído para substituir um hospital distrital que foi completamente destruído pelo tufão, sem possibilidade de reparo. A equipe do hospital é composta, principalmente, por profissionais filipinos; um cirurgião, um anestesista e 12 enfermeiros locais são de MSF. A organização contribui também com a expertise necessária para manter o hospital em funcionamento, que envolve o suprimento de eletricidade, água, medicamentos e equipamentos.

“Mesmo que as coisas estejam voltando ao normal, ainda estamos tratando alguns casos complicados”, diz Evangeline Cua, cirurgiã de MSF. “Recentemente, tratei um garoto com osteomielite crônica, que é uma inflamação nos ossos. Antes do tratamento, ele estava mancando e com dores constantes. Depois da cirurgia e com os cuidados em andamento, ele agora está andando.”

MSF também começou a construção de um hospital pré-fabricado em Guiuan, que vai permitir a retirada dos pacientes das tendas, que são inadequadas para a estação chuvosa, até que um hospital permanente seja estruturado. O hospital, projetado para durar até cinco anos, vai oferecer cuidados de saúde materna e cirurgia, além de serviços de internação e ambulatoriais. A previsão é de que esteja pronto em junho, quando MSF deixará Guiuan, repassando o hospital para ser administrado pelo Ministério da Saúde.

A organização também está reparando as redes de esgoto e de suprimento de água e os trabalhos devem ser concluídos até o final de maio. Com a proximidade da estação chuvosa, as equipes de MSF estão concentradas, também, na prevenção de um potencial surto de dengue, doença transmitida por mosquitos.

“As pessoas que perderam seus empregos devido ao tufão, ou as famílias que perderam aqueles que as sustentavam, estão vivendo em condições difíceis e nem sempre têm acesso aos cuidados de saúde de que precisam”, afirma Akiko Matsumoto, coordenadora médica-adjunta de MSF. “Embora possamos fazer pouco, esperamos, ao menos, oferecer às pessoas a sensação de segurança de que as mulheres podem dar à luz de forma segura e gratuita.”

Na província de Leyte, que foi fortemente atingida pelo tufão, as necessidades médicas migraram de cuidados de emergência para o tratamento de doenças crônicas e saúde materna. MSF está agora prestando suporte à reconstrução do hospital provincial de Leyte, um centro de referência para mulheres que enfrentam complicações durante o parto. Além de reparar o prédio do hospital, a organização está reforçando a equipe de saúde com o objetivo de restaurar por completo a oferta de serviços de saúde materna, incluindo cesarianas.

“No momento, o número de instalações de saúde que podem atender partos de alto risco é limitado. E é por essa razão que MSF vai concentrar esforços nos cuidados de saúde materna e neonatal nos próximos meses”, conta Axelle de La Motte, responsável pelo programa de MSF.

O hospital inflável de MSF em Tacloban e o hospital em tendas em Tanauan, próximo dali, foram fechados depois de uma queda na procura por serviços e da melhoria na capacidade dos serviços de saúde locais.

Fonte:
 
http://www.msf.org.br/

sábado, 24 de maio de 2014

DOMINGO DA IGREJA PERSEGUIDA

DOMINGO DA IGREJA PERSEGUIDA

25 de maio é o dia em que mais de cinco mil igrejas espalhadas por todo Brasil e outros países estarão em oração pela Igreja Perseguida. Através do DIP, ajude-nos a mobilizar mais cristãos nessa causa. Pastores e líderes africanos esperam por nós

Fonte: http://www.domingodaigrejaperseguida.org.br/

sexta-feira, 23 de maio de 2014

O sonho de ser livre para adorar a Deus

Dia22_0270001032_ERITREIA.jpg
Como está escrito: "Por amor de ti enfrentamos a morte todos os dias; somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro". Romanos 8.36
Jorge* conta de uma visita que fez à Eritreia, na qual conseguiu marcar uma reunião especial. Ele foi calorosamente recebido, apesar da barreira da língua, por um intérprete e pelo irmão Paulo*, que compartilhou seu testemunho.
"Fui levado a uma prisão militar na qual me obrigaram realizar tarefasdesgastantes sob uma temperatura muito alta – passava dos 40 graus. Nestas condições, trabalhei diariamente. Sem descanso. Sem direito a julgamento. Colocaram-me numa cela subterrânea, completamente escura. Por mais de seis meses, fiquei na escuridão. Quando saí de lá, mal podia andar, e estava quase cego! Mas agradeço a Deus porque meus olhos voltaram ao normal aos poucos".
A polícia lhe pediu para assinar um papel, negando sua fé. "O documento, entre outras coisas, dizia: ‘De agora em diante, não vou pregar, não vou me reunir comoutros cristãos. Não vou falar de Jesus’. Afirmava também que, a partir daquele momento, eu era um marxista".
Ao final da entrevista Jorge e Paulo oraram juntos. Quando Jorge estava de saída, Paulo lhe disse: "Continue orando para que Deus intervenha e restaure a liberdade da Igreja na Eritreia".

Pedidos de oração
  • Agradeça a Deus pela vida de irmãos como Jorge que todos os anos visitam cristãos perseguidos para fortalecê-los.
  • Louve ao Senhor pela vida de Paulo que mesmo em meio à prisão e torturas não negou a fé.
  • Interceda por milhares de cristãos que estão presos, são torturados e marginalizados na Eritreia por causa de sua fé em Cristo. 
*Os nomes verdadeiros foram alterados por motivos de segurança
Participe dos 31 dias de oração pela Igreja africana!
FontePortas Abertas Brasil

quarta-feira, 21 de maio de 2014

O que significa a palavra Hellmann´s




Antes de falarmos sobre o que nos expressa o titulo desta postagem, vamos conhecer um pouco dessa "nova iguaria" (na época): A Maionese


Em geral, as criações culinárias que se popularizaram ao longo da história colecionam várias versões sobre sua origem. Com a maionese não é diferente. Uma delas conta que esse molho à base de ovos foi inventado por um francês, chef de cozinha do duque de Richelieu que, no início da Guerra dos Sete Anos (1756-1763), comandou uma batalha bem sucedida contra os ingleses em Mahon, capital da ilha de Minorca, na Espanha. A nova receita estreou no banquete que se sucedeu à vitória e foi batizada por seu criador de “mahonnaise” em homenagem ao feito de Richelieu.

Este saboroso "molho" foi popularizado. Com a popularização surgem as "marcas" - Identificações para um produto industrializado. Bem, como não podemos deixar de citar, com o surgimento dos nomes aparecem também as falácias a seu respeito.

Hoje gostaria de compartilhar com os amigos sobre um "enigma", que muitos falam, comentam "com tendências capciosas" sobre o nome de uma saborosa (ao meu paladar) marca de maionese.

Aqui eu Aprendi! Declaro: Este parecer é livre de aspectos pejorativos. Não tem caráter defensivo a certo produto (marca) ou tendencioso a querer ultrajar qualquer tipo de classe social ou eclesiástica (pessoas), apenas um serviço prestado à curiosidade dos leitores "pessoas" que nos questionam. Uma curiosidade respondida! (obs. as palavras em maiúsculo são apenas para realçar destaque - conforme texto original)

Hellmann's significa "homens do inferno". Será?

texto original de Marcos Brito




Não é de hoje que vejo muitos crentes (diria cristãos, evangélicos), talvez por falta de conhecimento, dizerem que não degusta a maionese Hellmann's, por ser esta satânica, e atribuem a tal marca o significado de "homem do inferno" ou "homens do inferno". Dizem, inclusive, que os proprietários da famosa marca são satanistas. (Lembrando que eu não estou aqui para afirmar se os donos da tal empresa fizeram, ou deixaram de fazer, pacto com o diabo. Que fique bem claro!)


Bem, antes de eu falar, à luz da Bíblia, o que penso, vamos saber a origem do nome Hellmann's.


1) Em primeiro lugar, Hellmann's não é uma palavra inglesa. Querer traduzir essa expressão como "homens do inferno" é uma tolice que dispensa comentários. Se não, vejamos: HELL (substantivo inglês) significa INFERNO. Até aí tudo bem. Para quem gosta de ver diabo e inferno em tudo, a tradução está correta. O problema acontece quando se vai traduzir a palavra MANN'S.
Os pregadores e apologistas de fundo de quintal (diria néscios) a confundem com MAN (termo inglês) que significa HOMEM. Já o plural para HOMENS, em inglês, é MEN. Logo para HELLMANN'S significar HOMENS DO INFERNO deveria ser escrita assim: HELLMEN (inglês) ou HELLMAN (inglês), caso fosse HOMEM DO INFERNO.


2) Em segundo lugar, o nome HELLMANN'S é de origem alemã, onde HELL é adjetivo e significa CLARO (LUZ) e MANN significa HOMEM. Como se trata da junção das duas palavras alemãs, a tradução, a grosso modo, seria assim: HOMEM CLARO ou HOMEM BRILHANTE.

(Aqui eu Aprendi! lembrando que: o plural de homem em alemão é Männer)


3) Em terceiro e último lugar — e creio ser a forma mais correta de se pensar —,HELLMANN'S deriva-se do sobrenome do fundador da empresa que desenvolveu esse produto (maionese): o alemão Richard Hellmann. Este imigrante "Em 1905, abriu uma delicatessen em Nova York, onde vendia produtos artesanais e guloseimas, como as saladas guarnecidas com o molho 'maionese' preparado por sua mulher. O sucesso do condimento entre os clientes da loja levou Hellmann a colocar o produto à venda em duas versões, uma delas identificada com uma fita azul, que logo se destacou pela maior procura. Em pouco tempo, o comerciante já estava atendendo outros fornecedores com seu produto embalado em frascos de vidro." (Extraído do site da Unilever). E, em 1962, a empresa lançou a primeira maionese industrializada no mercado brasileiro.


Bem, se o apóstrofo indicar posse ou propriedade, como na língua inglesa, HELLMANN'S tem o sentido de "do Hellmann", isto é, "de propriedade da família Hellmann".


A Palavra de Deus é enfática:
"Não é o que entra pela boca que contamina o homem; mas o que sai da boca, isso é o que o contamina" Mateus 15.11


"Ainda não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce para o ventre, e é lançado fora? Mas, o que sai da boca, procede do coração, e isso contamina o homem. Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias. São estas coisas que contaminam o homem..." Mateus 15.17-20


Aqui eu Aprendi!
Os negócios da família Hellmann´s prosperou, e em 1932 a Companhia Best Foods (poderosa empresa de alimentos) comprou a Hellmann´s e fundiram-se em uma só empresa. A Bestfoods, antes de 1997, conhecida como CPC Internacional, foi adquirida pela Unilever em 2000.

Compreendido equivocadamente como "homem do inferno", seu nome é devido ao seu fundador, Sr.Richard Hellmann da família alemã Hellmann,


Lembre-se: A Palavra de Deus nos orienta a orar por tudo que entra em nossa casa, tenha este hábito e, ao realizar suas compras, independente do que seja, sendo produtos alimentícios, eletrônicos, pessoais, ou comunitários (para a família) faça uma oração, abençoe o que entra em sua casa. Junte sua família, ore sobre o que adquiriram e confie que todo o mal foi repreendido, em nome de Jesus, isso é fé!
Tenho certeza, que você não vai querer em sua casa algo que não tenha sido recebido em ações de graça, porque pela palavra de Deus são separados para um bom uso, pela palavra de Deus e pela oração são santificados.
Leia: Cartas de Paulo a Timóteo


Tenhamos cuidado com alguns que, por falta de conhecimento, induzem "fieis" a padrões de vida sob poderes arbitrários. Cuidado com os déspotas*.


Bem! e se me perguntarem se degusto da maionese Hellmann´s, minha resposta será semelhante ao do irmão em Cristo Jesus Marcos Brito. Claro que sim! Oro, abençoo, e saboreio, aliás também preciso maneirar para não engordar (risos).


*Déspota; Que chefia, dirige ou governa de modo completamente autoritário; que é capaz de exercer sua autoridade de modo opressor; despótico. Que se comporta de maneira tirânica para obter o poder completo.

Fonte:
http://www.marcosbrito.net/
http://www.marcosbrito.net/2014/02/hellmanns-significa-homens-do-inferno.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hellmann's
http://www.unilever.com.br/Images/Hellmanns_tcm95-107543.pdf
Dicionário on-line inglês, português, alemão

Aqui eu Aprendi!


Fonte: http://aquieuaprendi.blogspot.com.br/2014/05/o-que-significa-palavra-hellmanns.html

domingo, 18 de maio de 2014

Cristã sentenciada à morte necessita de orações

Sudan woman.jpg
Cristãos no Sudão pedem orações por Meriam Yahia Ibrahim, cristã de origem muçulmana, presa no dia 17 de fevereiro. Em 04 de março, ela foi acusada de adultério e apostasia. Entenda o caso e ore pela família
Meriam é casada com um cristão do Sudão do Sul, que também tem cidadania norte-americana. O casal tem um filho pequeno e está esperando o nascimento de seu segundo filho no final deste mês.
O governo não reconhece o casamento do casal, por conta disto existe a acusação de adultério. O filho está com Meriam na prisão porque as autoridades consideram-no como um "muçulmano" e não pode ser criado por seu pai, que é cristão.
Meriam compareceu ao tribunal no domingo, dia 11 de maio, onde foi condenada à morte por apostasia. Não há precedente conhecido para tal veredito e sentença proferidos por um tribunal sudanês contra um seguidor de Jesus nos últimos tempos.
Pedidos de oração
  • Ore por Meriam, seu marido, seu filho e bebê que está para nascer, para que recebam a paz, a presença e a proteção de Jesus.
  • Peça a Deus para que todas as acusações sejam retiradas, a sentença de morte seja anulada, Meriam seja libertada e a família possa se reunir novamente.
  • Interceda para que cristãos em todo o Sudão experimentem a paz e a presença de Jesus, e tenham a orientação diária do Espírito Santo para que possam viver sem medo.
  • Clame para que todos os funcionários envolvidos tenham misericórdia, ajam com justiça, aprendam sobre Jesus e escolham segui-lo.
Fonte: Middle East Concern
Via: https://www.portasabertas.org.br

sábado, 17 de maio de 2014

Sudanesa é condenada à morte por se converter ao cristianismo


Sudan_woman_desfoque.jpg
Nesta quinta-feira (15/05), um tribunal do Sudão condenou à morte a médica Mariam Ishaq, de 27 anos, grávida de oito meses, por ter se convertido ao cristianismo. A pena, porém, só será aplicada em dois anos, informaram fontes da Defesa à agência de notícias Efe

O advogado Ahmed Abdallah afirmou que o prazo de três dias determinado por outra corte para que a mulher retificasse sua crença terminou ontem sem que sua cliente tenha rejeitado renunciar à religião cristã.
Segundo a sentença, Ishaq receberá 100 chicotadas como castigo e depois será enforcada.
Um tribunal já havia condenado no domingo passado a sudanesa à pena capital por apostasia e adultério, uma decisão que foi confirmada nesta quinta-feira pela Corte Penal do leste de Cartum, presidido pelo juiz Abbas al-Khalifa.
O magistrado atrasou o cumprimento da sentença até dentro de dois anos, para dar tempo a que a mulher dê à luz ao filho que está esperando e termine de amamentá-lo nesse tempo.
Ishaq, que está quase chegando ao fim de uma gestação e tem outro filho de dois anos, mudou seu nome de Abrar pelo de Mariam e é filha de um homem da região de Darfur, no oeste do Sudão, e de uma mulher da vizinha Etiópia.
No domingo passado, seu marido cristão foi absolvido da acusação de adultério por falta de provas, após argumentar que havia se casado com a jovem quando já tinha mudado sua religião.
O tribunal lembrou que a lei sudanesa proíbe a conversão do islã ao cristianismo e que, portanto, a acusada cometeu adultério por seu casamento como cristã ser "nulo".
Vários diplomatas ocidentais e representantes de grupos de direitos humanos foram à audiência ontem e advertiram sobre o risco que esse tipo de julgamento representa para a tolerância religiosa e para os direitos humanos no Sudão. EFE

A Portas Abertas Brasil já havia noticiado o caso na tarde de ontem (15/05), porém sem todos os detalhes presentes no relato de hoje. Para ler a primeira notícia publicada, acesse Cristã sentenciada à morte necessita de orações.
Fonte: EFE
Via: https://www.portasabertas.org.br

sexta-feira, 16 de maio de 2014

O crescente desinteresse brasileiro por Missões


“Todo cristão que não é missionário, é um impostor”
__________________________________________

Apesar de numerosas iniciativas, participação missionária de Igreja brasileira está muito aquém do potencial.

Por Rafael Dantas - http://www.cristianismohoje.com.br
Na mesma época em que se projetava um desenvolvimento glorioso para a economia nacional – o chamado “milagre econômico” dos anos 1960 e 70 –, outro setor do país, a Igreja Evangélica, também experimentava tempos de intensa euforia. Abarrotadas de jovens atraídos por uma mensagem cristã atenta aos seus anseios, as congregações faziam planos dourados para o futuro. A ideia geral era transformar o país no celeiro da obra missionária global. Difícil era encontrar igreja que não tivesse um departamento de missões e planos de enviar obreiros para ganhar o mundo para Cristo. A mensagem escatológica, então em alta nos púlpitos, era uma só: pregar o Evangelho a toda criatura, a fim de que o Senhor voltasse depressa. Organizações missionárias surgiam a cada dia, atraindo gente que desejava dedicar a vida à boa obra.
Veja: Por que as pessoas deixam de amar missões?


No entanto, neste início da segunda década do século 21, o que se nota é que, se tudo não passou de mero entusiasmo – e números vigorosos da presença missionária brasileira mostram que não –, a situação atual é bem diversa daquela que a geração anterior projetou. Missão rima com visão e ação, e as duas palavras andam bem distantes da maioria das igrejas evangélicas brasileiras, segundo especialistas em missiologia. Mesmo com o acelerado crescimento numérico dos que professam a fé evangélica no país, que seriam quase 20% dos brasileiros de acordo com projeções baseadas em dados oficiais, o envolvimento dos crentes nacionais com a obra missionária, em todas as suas instâncias – seja social ou evangelística –, segue 

a passos bem mais lentos que o possível.
O conhecimento das demandas missionárias é exposto em cada campanha ou congresso. Testemunhos são derramados nos púlpitos, levando a muita comoção edecisões pessoais. Passado algum tempo, contudo, os compromissos assumidos por um maior envolvimento com a obra de evangelização e intervenção social se esfriam e a missão de alcançar o mundo com o amor de Cristo fica a cargo dos missionários de carreira – isso quando obreiros enviados não são simplesmente esquecidos no campo. “Infelizmente, o jargão de que cada cristão é um missionário está sendo esquecido. A ênfase em muitas igrejas é pelo crescimento da congregação local”, atesta o professor Diego Almeida, docente do mestrado em missiologia do Seminário de Educação do Recife (PE). “O serviço acaba concentrado nas mãos de profissionais.”
Para o pastor José Crispim Santos, promotor setorial da Junta de Missões Mundiais da Convenção Batista Brasileira (CBB) – uma das maiores organizações missionárias do mundo, com mais de 600 obreiros no campo –, a Igreja brasileira está bem inteirada acerca dos desafios missionários da atualidade, mas as ações ainda não são suficientes para o tamanho deles. “Há muitas agências missionárias divulgando o tempo todo, além da mídia que noticia fatos que demonstram o sofrimento humano, físico e espiritual ao redor do planeta. Nossa avaliação é que, diante deste cenário de grande carência espiritual, a Igreja tem dado sua contribuição – entretanto, isso é insuficiente, quando a missão é, de fato, tornar Cristo conhecido em toda a Terra”.



DISCURSO E PRÁTICA

O que parece evidente na paradoxal situação da Igreja brasileira, um contingente com enorme potencial humano e financeiro, mas pouco utilizado quando o assunto é o “Ide” de Jesus, é que a miopia missionária passa pela liderança – uma barreira difícil de ser transposta, conforme relatado por gente que trabalha em ministérios e departamentos específicos. Essa tendência à inação, alimentada pela valorização de outras prioridades, acaba contaminando o rebanho. Quando a visão do líder não passa das paredes do templo, dificilmente a igreja desenvolve alguma intervenção importante, até mesmo em sua comunidade. “De fato, quando o dirigente tem visão e é entusiasmado com a obra missionária, a igreja tende a acompanhá-lo. Da mesma forma, o inverso é verdadeiro. Entretanto, há algumas exceções; quando a igreja possui promotores de missões, esses batalhadores realizam verdadeiros milagres”, continua Crispim.



Acontece que a própria estrutura de funcionamento das igrejas, muitas vezes baseado em decisões de poucas pessoas, quando não apenas de um líder centralizador, torna ainda mais difícil o convencimento de que a missão é de toda pessoa que um dia recebeu a Cristo como Salvador. “Dentro do atual quadro religioso brasileiro, creio que o nosso exacerbado clericalismo é um enorme obstáculo para uma compreensão e prática da obra missionária em termos de missão integral”, atesta o professor de teologia e história eclesiástica da Faculdade de Teologia da Universidade Metodista de São Paulo, Paulo Ayres. Mas as barreiras para se desenvolver uma ação missionária mais eficiente, ainda que possam nascer no clero, também são agravadas pelo perfil do crente contemporâneo. “Hoje, grande parte dos membros de nossas congregações é constituída mais por assistentes passivos e clientes em busca de produtos religiosos do que irmãos e irmãs na fé com forte compromisso e prática missionárias, especialmente em suas atividades cotidianas no mundo secular onde vivem e trabalham”, avalia o religioso, que é bispo emérito da Igreja Metodista do Brasil.

No seu entender, a Igreja tem utilizado estratégias equivocadas (ver abaixo). Por outro lado, Ayres lembra que é muito mais cômodo terceirizar o compromisso missionário do que executá-lo pessoalmente, ainda que a missão específica possa ser realizada no próprio bairro onde se reside. “É mais cômodo contribuir para enviar um missionário ao Cazaquistão ou a Guiné-Bissau do que ir pessoalmente, no poder do Espírito Santo, trabalhar como voluntário no Piauí ou na Cracolândia, em São Paulo, ainda que seja por um curto período de tempo, como evangelista, obreiro com crianças, dentista ou trabalhador social”, comenta. Assim, além da omissão do Corpo de Cristo por falta de conhecimento ou disposição, a Igreja corre riscos de ter seu trabalho missionário hipertrofiado à medida em que se transmite toda a responsabilidade do serviço cristãopara as agências especializadas – um problema acentuado principalmente em comunidades de fé ligadas a grandes associações missionárias.
MOBILIZAÇÃO
Do tripé normalmente exposto nos eventos temáticos de missões (“contribuir, orar e ir”), em geral só se desenvolve mais efetivamente o primeiro, e ainda assim em patamares muito abaixo do que as igrejas poderiam fazer. Um levantamento feito Missão Horizontes apontou que o investimento médio per capita do crente brasileiro em missões durante um ano inteiro é menor do que o preço de uma latinha de Coca-Cola – algo em torno de irrisórios R$ 2,50. Para o missionário e pastor batista Ricardo Magalhães, que atua em Portugal a serviço da Missão Cristã Europeia ao lado da mulher e também obreira Priscila, a escassez de investimento no setor missionário está mais atrelada à falta de visão do que de recursos. “De maneira geral, a Igreja brasileira não tem problemas com finanças, porque ela sabe se mexer para gerar fundos quando quer e para o que quer. E isso, quando se sabe que não há falta de pessoas querendo ir aos campos: inúmeros missionários só aguardam recursos para ir”, completa. Assim, o aspecto da oração, sem a visibilidade e sem o apelo de outros ministérios da igreja, fica naturalmente reduzido a pequenos grupos.



De olho na mobilização da igreja para orar, uma das ações das diversas organizações missionárias é publicar sempre em seus boletins os motivos de intercessão nos campos, pelos missionários e pelos desafios a serem superados. A JMM já utiliza até mesmo mensagens de SMS para pessoas cadastradas, que recebem torpedos com pedidos urgentes de intercessão. Já o terceiro passo, o de ir, é o maior desafio. Seja para pequenas viagens missionárias ou para partir definitivamente rumo ao campo, entre o desejo, o chamado, a preparação e a missão há de fato uma longa trajetória geralmente não concluída. Não são poucos os casos de vocações que se esfriam até mesmo dentro dos seminários, ou de leigos envolvidos com a obra serem sufocados com o ativismo religioso. É gente bem intencionada que acaba direcionando seu tempo, recursos e esforços mais para dentro do que para fora da igreja.

“As comunidades evangélicas têm caído em um dos dois extremos: ou elas se fecham a um diálogo com a sociedade ou se abrem excessivamente para uma vontade popular, abraçando um discurso econômico de prosperidade”, sustenta o missionário Alesson Góis, da Igreja Congregacional, que coordena o ministério independente Vidas em Restauração (VER). “O mundo não precisa de um cristianismo pregado, mas vivido. Todo cristão que não é um missionário é um impostor, pois é muito egoísta receber toda a graça e amor de Deus e não compartilhá-los com o próximo”. Envolvendo cerca de 60 jovens de diversas denominações, entre batistas, presbiterianos, congregacionais e membros de igrejas diversas como a Assembleia de Deus e a Sara Nossa Terra, o ministério se encontra todos os sábados no Parque Treze de Maio, no centro do Recife. Os jovens se reúnem como uma roda de conversa, mas sem se caracterizar como uma liturgia ou como uma extensão da igreja institucional. “Muita gente se surpreende pelo fato de sermos cristãos e conversarmos com eles sem forçar a barra para que se convertam”, comenta Góis.
PRESENÇA NOTADA
Para o missionário e pastor presbiteriano Ronaldo Lidório, parte da frustração de setores da Igreja vem justamente daquela expectativa superestimada em relação ao seu papel na evangelização do mundo, que acabou não se concretizando: “Pensamos que rapidamente encontraríamos uma veia missionária comparada à da Coreia do Sul, o que ainda não aconteceu”, reconhece. Mesmo assim, ressalva, existe um outro lado. “Creio que corremos perigo ao focarmos somente nas negligências. É certo que a Igreja nacional caminha com bons passos”. Ele cita como exemplo a presença evangélica em povos indígenas, setor no qual seu trabalho é respeitadíssimo. Além de ter vivido por dez anos entre o povo konkomba, de Gana (África), ele agora está envolvido com o Projeto Amanajé, de evangelismo e assistência a indígenas na Amazônia . “A Igreja atua em 182 etnias indígenas e coordena quase 260 programas sociais entre esses povos”, enumera. “Além disso, comunidades ribeirinhas, até pouco tempo esquecidas pelas igrejas, hoje contam com dezenas de programas cristãos, tanto de evangelização como de ação social.”
Lidório destaca ainda o trabalho de organizações regionais, como a Juventude Evangélica da Paraíba (Juvep), que tem plantado igrejas e centros de atendimento popular pelo Nordeste. “O sertão hoje possui menos da metade das áreas não evangelizadas em relação ao quadro de 15 anos atrás, e essa mobilização se deu a partir de iniciativas como a Juvep e outros programas dedicados aos sertanejos”. Já na área transcultural – a mais conhecida e romantizada do trabalho missionário, que envolve a figura clássica do obreiro que larga sua terra para pregar o Evangelho num canto qualquer do mundo –, Lidório garante que as igrejas e agências brasileiras também marcam presença. “Jamais tivemos tantos missionários no exterior como em nossos dias, e não é incomum encontrarmos hoje brasileiros ocupando posições de liderança em equipes e missões na África e na Ásia”, informa. Pelas estatísticas disponíveis, hoje atuam cerca de 2,3 mil missionários brasileiros no exterior, espalhados por mais de 50 países. “A Igreja brasileira é uma das maiores representações de ações missionárias na atualidade, embora o número de obreiros e de ações missionárias seja realmente bem menor do que poderia e deveria ser”, conclui Ronaldo Lidório.
No entender do especialista em missiologia Diego Almeida, ministérios como o VER têm se tornado cada vez mais comuns, não somente no Brasil, mas em diversos países. “Quando a Igreja não investe nos vocacionados, eles se preparam por conta própria”. Foi justamente o caso da estudante de psicologia e funcionária pública Quésia Cordeiro, de 23 anos. Após decidir dedicar-se às missões após os congressos temáticos de que participou, ela não recebeu nenhum suporte para dar os passos seguintes na preparação. “Não recebi nenhuma capacitação os discipulado. Tive que correr atrás para manter a chama acesa”, conta a jovem. Com conhecimento próprio, ela constata: “O despertamento para a obra missionária não é uma coisa contínua, mas pontual, restrita a conferências e eventos.” Para Almeida, mesmo que as igrejas não mostrem a Palavra de Deus, ela acaba se cumprindo de outras formas – “O triste é ver que a instituição criada para apresentar Jesus ao mundo não faz parte desse processo”, lamenta o professor.
“Nossa missão é implantar o Reino de Deus”
Para o bispo Ayres, entender missões como mero proselitismo é atitude reducionista.




Especialista em missiologia, tendo atuado como evangelista em Portugal e no Nordeste brasileiro, Paulo Ayres é hoje bispo emérito de sua denominação, a Igreja Metodista, e professor de teologia e história eclesiástica. Ele falou com CRISTIANISMO HOJE sobre o panorama evangélico brasileiro em relação à missão integral da Igreja.

CRISTIANISMO HOJE – Ao mesmo tempo em que a Igreja brasileira cresce numericamente, o conhecimento e envolvimento com missões parece decrescer a cada geração. Por quê?
PAULO AYRES – O crescimento numérico do povo evangélico brasileiro, em minha opinião, não tem sido acompanhado de um maior compromisso missionário em todos os campos da vida brasileira que reclamam um eficaz testemunho evangélico. As igrejas evangélicas brasileiras, em sua maioria, têm uma visão reducionista sobre o que é missão, entendendo-a mais em termos de evangelismo visando à conversão individual. Outras dimensões missionárias, como o serviço cristão aos necessitados, o ensino na doutrina dos apóstolos, o testemunho público do Evangelho, a ética e a moral cristãs (a práxis do Evangelho), ou até mesmo o culto, ainda que consideradas como importantes por algumas igrejas, acabam, na prática missionária, sendo somente – quando muito – andaimes secundários para a conversão individual.
Qual o resultado prático desse panorama?
Essa visão reducionista faz com que missão seja entendida e praticada mais como estratégias para conquistar almas para Cristo do que realmente levar à frente o objetivo de sinalizar a presença do Reino de Deus no mundo. Daí a obsessão pelo crescimento numérico das igrejas – melhor dizendo, das denominações – a qualquer custo, mesmo em detrimento dos valores maiores do Evangelho. É por isso que o crescimento numérico dos evangélicos brasileiros, apesar da extraordinária transformação na vida pessoal de milhões de pessoas, não tem causado maior impacto transformador em nossa sociedade.
O que fazer para mudar esse quadro de crescimento sem transformação social?
Creio que precisamos, com urgência, de uma nova reforma no evangelismo brasileiro, que deverá ter como seu centro a compreensão e a prática da missão como obra de Deus na implantação do seu Reino entre nós. Se deixarmos de lado a obra humana forjada nas regras do mercado e da exacerbada competição institucional entre as igrejas, contribuiremos para a construção de uma sociedade com alto padrão espiritual e ético, segundo a maneira de ser exposta por Jesus no Sermão do Monte.
Presença missionária brasileira
2.300 é o número aproximado de missionários brasileiros no exterior
50 são os países onde eles atuam
600 deles são ligados à Junta de Missões Mundiais da CBB

Via :Blog Visão Missionária

LANÇAMENTO DO MEU LIVRO, EM BREVE

Postagens Recentes