quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Santuários da época do rei Davi são descobertos em Israel

É a primeira vez que santuários da época dos primeiros reis bíblicos são descobertos



Durante recentes escavações arqueológicas em Khirbet Qeiyafa, uma antiga cidade fortificada localizada na Judeia, a cerca de 30 km ao sudoeste de Jerusalém, perto do vale de Elah, o professor Garfinkel e seus colegas da Universidade Hebraica de Jerusalém encontraram vários objetos de culto, incluindo três grandes salas que serviam de templos e cuja arquitetura corresponde à descrição bíblica de um culto realizado na época do rei Davi.
É a primeira vez que santuários da época dos primeiros reis bíblicos são descobertos. Esses templos foram erguidos entre 30 e 40 anos antes da construção do Templo de Salomão, em Jerusalém. A descoberta proporciona a primeira evidência física de um culto no tempo do rei Davi, com implicações significativas para as áreas de história, arqueologia e estudos religiosos, incluindo a Bíblia.
Segundo Garfinkel, "é a primeira vez que os arqueólogos descobriram uma cidade fortificada na Judeia, da época do rei Davi. Mesmo em Jerusalém, nós não temos nenhuma cidade fortificada clara desse período. Deste modo, várias teorias que negam por completo a tradição bíblica sobre o rei Davi, argumentando que ele era uma figura mitológica ou simplesmente líder de uma pequena tribo, caíram por terra?, diz o pesquisador. De acordo com a tradição bíblica, o povo de Israel realizava um culto diferente de todas as outras nações da região, por ser um povo monoteísta.
"Ao longo dos anos, milhares de fósseis de animais foram encontrados, incluindo gado, ovelhas e cabras, mas não porcos. Agora descobrimos essas três salas de culto, com objetos, mas não foi encontrado nenhuma figura de um ser humano ou animal. Isto sugere que a população de Khirbet Qeiyafa seguia duas proibições da Bíblia: não comer carne de porco e não gravar imagens humanas ou de animais, o que leva à conclusão de que nesses locais era praticado um culto diferente do praticado pelos cananeus ou filisteus", acrescentou.
Os resultados de cinco anos de pesquisa foram publicados no livro "Os passos do rei Davi, no Vale de Elah", editado pelo jornal Yedioth Ahronoth.



Fonte: http://www.cpadnews.com.br
Via: http://adpianco.blogspot.com.br



segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

A indústria da salvação

por Ronivaldo Brandão

Show de Damares: estrela da música religiosa, ela vende dez vezes mais discos que as rainhas do axé Ivete Sangalo e Claudia Leitte

Paulo Vasconcellos, no Valor Econômico

A maior praça de Guapimirim, cidade de 50 mil habitantes na subida da serra do Rio, a 60 quilômetros da capital fluminense, ficou pequena numa noite de sexta-feira de novembro, para o show da cantora Damares em homenagem aos 22 anos do município. Nona colocada na lista dos dez artistas que mais venderam discos no ano passado, com 400 mil cópias do CD “Diamante”, ela costuma desfilar no palco um cardápio musical variado no ritmo, do pop ao forró, e trivial nas letras, recheadas de substantivos como fornalha, salvação e vitória. Entre uma canção e outra, faz orações com a voz carregada de dramaticidade. A plateia vibra. Alguns não escondem as lágrimas. O cachê, de R$ 25 mil a R$ 50 mil, ainda está longe dos R$ 250 mil cobrados por cantores sertanejos mais estelares, mas trata-se de um nicho novo que garante ao menos dois shows por semana, em geral pagos pelas prefeituras do interior. Neste mês, fez espetáculos em Rolim de Moura e Porto Velho, em Rondônia, e Chapadinha e Arame, no Maranhão.


A paranaense Damares de Alvez Bezerra de Oliveira, de 32 anos, 1,60 m de altura, cabelos pretos longos como convém a uma seguidora da Assembleia de Deus, é a encarnação de um novo gênero de “pop star” no Brasil: o astro da música religiosa. A lista é farta. Reúne tanto católicos quanto evangélicos. São artistas que só perdem na vendagem de CDs e DVDs para cantores e cantoras seculares, como Luan Santana ou Paula Fernandes, e deixam para trás nomes do porte de Marisa Monte e Caetano Veloso ou até mesmo estrelas internacionais, como Lady Gaga e Justin Bieber. Ivete Sangalo e Claudia Leitte, que nada. Damares vende muitas vezes mais discos que as rainhas do axé.


Quatro dos vinte escritores que mais vendem livros no país são religiosos – dois deles católicos: o padre Marcelo Rossi lidera a lista


O fenômeno se espalha da música para o cinema, da literatura para as mídias digitais. A venda apenas de discos e livros de conteúdo religioso movimenta mais de meio bilhão de reais por ano. A estatística está longe de refletir o tamanho exato do mercado não só por causa da pirataria, mas porque as gravadoras essencialmente religiosas, entre elas a MK Music, que domina 70% do segmento, não comunicam à Associação Brasileira dos Produtores de Disco (ABPD) quantos CDs e DVDs vendem nas igrejas ou nos portais de comércio que mantêm na internet. A estimativa de especialistas é que pelo menos metade do mercado musical religioso brasileiro esteja à margem dos números oficiais. Ainda assim, a produção de artistas católicos e evangélicos, que representa uma fatia de aproximadamente 20% do faturamento anual de R$ 373 milhões da indústria fonográfica nacional, rende cerca de R$ 75 milhões.


Já a literatura religiosa girou sozinha, no ano passado, R$ 483,7 milhões. É exatamente 10% de todo o mercado editorial brasileiro, que atingiu um faturamento de R$ 4,8 bilhões, de acordo com uma pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (Fipe/USP) e da Câmara Brasileira do Livro (CBL). Embora tenha registrado queda de 5,99% no faturamento em 2011, na comparação com 2010, o segmento de livros religiosos acumulou um aumento de 18,9% nas vendas entre um ano e outro, atrás apenas da vendagem dos livros científicos, técnicos e profissionais, que cresceu 33,9%.


Não há milagre. Os evangélicos, que se multiplicam a uma taxa de mais de 6% a cada censo do IBGE, somam 42 milhões de consumidores potenciais e fiéis a tudo o que a igreja produz. É o que explica parte do desempenho de “Nada a Perder”. Primeiro dos três volumes da biografia do bispo Edir Macedo, o livro publicado pela editora secular Planeta vendeu 500 mil exemplares do lançamento, em agosto, ao Natal. Pela velocidade com que sai das estantes das livrarias deve fechar o ano atrás apenas do best-seller internacional “Cinquenta Tons de Cinza”. Cristiane Cardoso, filha do líder da Igreja Universal do Reino de Deus, é a única que pode ameaçar o reinado literário do empresário religioso. “Casamento Blindado”, que ela escreveu a quatro mãos com o marido e foi publicado pela Thomas Nelson Brasil, já vendeu meio milhão de exemplares.





Padre Marcelo Rossi (à esq.), autor de “Ágape”, e o bispo da Diocese de Santo Amaro, d. Fernando Figueiredo: livro já teve 8,4 milhões de exemplares vendidos desde 2010 até o Natal


Os católicos, que crescem menos a cada censo, mas ainda são mais de 130 milhões de brasileiros, reagem com estrelas da Renovação Carismática. De acordo com o acompanhamento do portal Publishnews sobre o mercado editorial, 4 dos 20 escritores que mais vendem livros no país são religiosos – 2 deles católicos. O padre Marcelo Rossi lidera a lista, com 8,4 milhões de exemplares de “Ágape” vendidos até o Natal desde que foi publicado, em 2010, pela também secular Globo Livros. “Agapinho”, versão infantil das reflexões do autor sobre passagens bíblicas, atingiu em um ano a marca de 800 mil exemplares vendidos. O padre Fábio de Mello, com 380 mil exemplares de “Tempo de Esperas” (Planeta), é o 18º do ranking. E, seguindo a máxima de que a união faz a força, o disco e o DVD “Ágape Amor Divino”, de Rossi, Mello e convidados, venderam juntos, até a semana passada, 700 mil exemplares, em apenas seis meses desde o seu lançamento.


No cinema, novas produções estão em andamento com a promessa de aquecer ainda mais os negócios, como o filme sobre irmã Dulce


O espiritismo, que tem apenas 3,8 milhões de seguidores, mas com os mais altos níveis educacionais entre todas as religiões, de acordo com o Censo 2010, também garante sucessos do outro mundo. Na literatura, com Zíbia Gasparetto, que soma mais de 16 milhões de livros vendidos, e com Mônica de Castro, que já alcançou 1,6 milhão de exemplares dos romances psicografados que ela mesma edita. No cinema, com “Nosso Lar”, baseado na obra psicografada pelo médium Chico Xavier, que faturou R$ 36 milhões e está em quinto lugar entre as dez maiores bilheterias nacionais nos últimos 20 anos, e com a cinebiografia “Chico Xavier”, vista por 3,4 milhões de pessoas, que ocupa a oitava posição.


Em contraposição ao conservadorismo comum a boa parte das denominações cristãs e também ao espiritismo, a produção religiosa se vale cada vez mais das ferramentas de marketing para ganhar qualidade. Igrejas e pastores estão entre os clientes de uma empresa de design em São Paulo que trabalha para melhorar a imagem que eles têm entre fiéis e consumidores. A inovação tecnológica também ganha força na disputa de mercado. A mídia digital aos poucos vai sendo incorporada ao arsenal disponível para atrair novos discípulos e aumentar as vendas. Mais de 15% do faturamento de gravadoras seculares que ingressaram no segmento, como a Sony Music e a Som Livre, vêm do mercado digital, ainda incipiente por aqui na comparação com os Estados Unidos, onde chega a 52%. O devoto que quer acompanhar um culto com um exemplar da “Bíblia” à mão já pode baixá-lo direto no celular. Algumas igrejas evangélicas permitem acompanhar a transmissão de cerimônias religiosas ao vivo no conforto de casa pela internet.





O bispo Edir Macedo: primeiro de três volumes de sua biografia, “Nada a Perder” já vendeu 500 milhões de exemplares desde o lançamento, em agosto, até o Natal


“O mercado sertanejo, que tem um público menor, cresceu muito mais porque falta a católicos e evangélicos uma visão de mercado para aproximar o produto religioso do consumidor secular”, diz o teólogo Antonio Kater, fundador do Instituto Brasileiro de Marketing Católico. “O mercado editorial religioso sempre foi forte, mas só passou a frequentar a lista dos mais vendidos depois que seus livros conquistaram espaço nas grandes redes de livrarias”, afirma Carlo Carrenho, proprietário do portal Publishnews. “‘Ágape’ inaugurou uma onda de livros religiosos, mas não há nenhuma intenção de a editora criar um selo específico para atender a esse mercado”, afirma Mauro Palermo, diretor da Globo Livros. “A música religiosa não é um gênero de moda, como a lambada ou o axé, mas um novo comportamento de parcela significativa da população que vai conquistando lugar até nas feiras dominadas pelos sertanejos”, observa Marcelo Soares, diretor da Som Livre. “A grande diferença hoje é a abertura das mídias seculares. Programas de auditório já disputam as principais atrações religiosas a tapa”, completa Maurício Soares, diretor da área de gospel da Sony Music.


O acirramento da concorrência pode alçar a indústria da salvação a um novo patamar mercadológico. A Geo, plataforma de eventos da Rede Globo, vai ocupar 10 mil m2 do ExpoCenter Norte, em São Paulo, de 17 a 20 de junho, com a primeira Feira Internacional Cristã (FIC). A meta é atrair 200 mil visitantes em torno da produção de gravadoras e editoras evangélicas e de fabricantes de moda e brinquedos especialmente criados para o público religioso. Até agora esse consumidor tinha a ExpoCristã, a maior feira religiosa de negócios da América Latina, que em setembro levou mais de 160 mil pessoas ao Centro de Exposições do Anhembi, também em São Paulo, e movimentou R$ 100 milhões nos sete dias do evento. A FIC pode abocanhar também uma fatia da Feira Literária Internacional Cristã (Flic), promovida pela Associação dos Editores Cristãos do Brasil (Asec), que em sua primeira edição, de 3 a 6 de maio, atraiu cinco mil visitantes ao Espaço de Eventos São Luiz, em São Paulo.


“Já está definido que a Flic do ano que vem vai ocupar um espaço 30% maior que a deste ano e no Anhembi, em resposta à consolidação da taxa de evangélicos no Brasil e à profissionalização de editoras que existiam fazia mais de 40 anos, mas atuavam de forma precária”, diz Sinval Filho, diretor-executivo da Asec. “Nossa entrada no segmento religioso foi provocada pela oportunidade de negócios combinada com a necessidade do público. Havia um espaço a ser ocupado e problemas de organização da concorrência”, observa Leo Ganem, presidente da Geo. “A força da religião evangélica é que ela tem lugar para todos”, afirma Eduardo Berzin Filho, presidente da EBF Comunicações, que organiza a ExpoCristã.


As duas empresas agora separadas pelas feiras já foram unidas pelo Troféu e o Festival Promessas. O prêmio, idealizado pela EBF e realizado há dois anos pela Geo, foi distribuído no dia 5, no Teatro Geo, em São Paulo, aos ganhadores de 11 categorias escolhidos por mais de cinco milhões de votos pela internet. A Rede Globo exibiu o festival, gravado no Campo de Marte, com apresentação de Serginho Groisman e expoentes da música evangélica, como a banda Diante do Trono e a cantora e pastora Aline Barros, a “rainha gospel dos baixinhos”. O programa foi um dos trunfos da emissora na sua programação especial de fim de ano.





O Festival Promessas reuniu 100 mil pessoas em São Paulo: transmitido pela Globo, evento com expoentes da música evangélica foi um dos trunfos de sua programação de fim de ano


No mercado editorial a guerra é bíblica. Pudera: só a produção do livro sagrado representa uma fatia de R$ 120 milhões por ano. De um lado estão a Casa Publicadora da Assembleia de Deus, denominação religiosa evangélica com nove milhões de fiéis, e a gráfica da Sociedade Bíblica Brasileira (SBB), que em 2011 imprimiu 6,7 milhões de exemplares da “Bíblia”, domina cerca de 70% do mercado e exporta parte da produção para mais de cem países. Na outra ponta estão as editoras Mundo Cristão, que lançou três novos tipos de “Bíblia” neste ano com a pretensão de crescer 15%, e a Thomas Nelson Brasil, parceria da maior editora religiosa dos Estados Unidos com a Ediouro, que tem duas versões especiais com comentários de especialistas planejadas para o ano que vem e ambiciona outros 15%.


“A expectativa é dobrar em quatro anos o faturamento, que deve chegar a R$ 15 milhões em 2012. Queremos ser a maior editora evangélica do país”, afirma Omar de Souza, publisher da Thomas Nelson Brasil. “A Gráfica Bíblica tem 17 anos de tradição e o reconhecimento internacional do mercado”, afirma Erni Seibert, secretário de Comunicação e Ação Social da SBB.


No cinema, novas produções entram em cartaz com a promessa de aquecer ainda mais os negócios. Nada menos que três filmes começam a ganhar forma em 2013. O mais adiantado é sobre “Irmã Dulce”, a beata católica baiana morta há 20 anos que se notabilizou por suas obras de caridade. A produção é da Migdal Filmes, que fez “Nosso Lar” e agora prepara a continuação. “Nosso Lar 2″, baseado em outros livros psicografados pelo médium Chico Xavier, será dirigido por Wagner Assis, diretor também da primeira versão. O cineasta Sérgio Machado, que foi assistente de direção em “Central do Brasil” e assinou o longa-metragem “Cidade Baixa”, já finalizou o roteiro de “Padre Cícero”, inspirado na biografia do líder religioso e político cearense Cícero Romão Batista escrita por Lyra Neto, e espera começar as filmagens em 2013.


O avanço evangélico foi o estopim para a reação carismática, dizem especialistas: a partir daí, os católicos começaram a produzir estrelas de massa


Pelos menos mais dois filmes com temática religiosa e outro assinado pela diretora Ana Carolina sobre as conturbadas filmagens de uma superprodução sobre a primeira missa no Brasil, em 1500, estão prontos para entrar em cartaz ou em fase de finalização. “Três Histórias, um Destino”, inspirado no livro do missionário R.R. Soares, que estreou em novembro em 51 salas, foi visto por 226 mil pessoas, com arrecadação de R$ 1,9 milhão, graças, em parte, à estratégia de mobilização que incentiva um evangélico a levar outro ao cinema.


“O cinema brasileiro descobriu a religião. ‘Nosso Lar’ extrapolou o nicho da religiosidade, mas o mais importante é que o tema parece ser garantia de público, ao contrário de filmes de esporte, que nunca dão bons resultados”, diz o crítico Pedro Butcher, do portal FilmeB, consultoria que monitora o mercado cinematográfico brasileiro. “Existe uma cultura religiosa muito forte no país, mas o que importa é a qualidade da história e o potencial de público que ela pode levar ao cinema”, afirma Iafa Britz, produtora da Migdal Filmes. “‘Nosso Lar’ não foi um filme espírita para um público espírita. Se fosse, não teria sido visto por mais de quatro milhões de pessoas.”


“Estamos diante de um fenômeno que os Estados Unidos já experimentaram: religião é ‘business’, mas aqui quem está produzindo a cultura religiosa não é o religioso. O cantor de igreja que fazia seu disco num estúdio de fundo de quintal agora ocupa o estúdio das grandes gravadoras. O Faustão das cantoras gospel é o templo sempre lotado todas as noites”, diz o teólogo Ed René Kivitz, pastor da Igreja Batista de Água Branca, em São Paulo. “O cristianismo tem um lado acentuado de empreendedorismo econômico e um dos reflexos, hoje, é a corrida entre as igrejas neopentecostais e o movimento carismático da Igreja Católica. Num país com forte sentimento de religiosidade, elas disputam um mercado cada vez mais promissor para a cultura religiosa”, afirma André Ricardo de Souza, professor de sociologia da Universidade Federal de São Carlos e autor do livro “Igreja in Concert”.


Os especialistas concordam que o avanço evangélico foi o estopim, nos anos 1990, para a reação carismática. A partir daí a Igreja Católica também começou a produzir estrelas de massa de aparência impecável e talento de comunicador. Os espíritas, que têm presença histórica nas telenovelas e mais recentemente no cinema, por causa da força da reencarnação no inconsciente coletivo brasileiro, mantiveram distância da disputa. Mas, assim como católicos e evangélicos, também aproveitaram o público cativo para buscar a inserção em outros nichos de mercado, como a autoajuda. A qualidade estética do produto religioso evoluiu com a incorporação em escala ao mercado de consumo, mas o processo, dizem os críticos, nem sempre foi acompanhado da sofisticação no conteúdo do produto entregue ao consumidor. “O livro do padre Marcelo Rossi é mais um amuleto religioso do que uma obra de qualidade. É como ter o terço, mas nunca rezar. É como ter a ‘Bíblia’ e nunca ler”, comenta o teólogo e pastor Kivitz.


“A padronização na oferta de bens processada pelas diferentes tradições cristãs, facilitada pela programação religiosa na mídia, é expressada por práticas comuns na forma de cultuar a fé, de fazer a leitura bíblica e educar os adeptos na reinterpretação das doutrinas e dos costumes e na compreensão da realidade da vida cotidiana. Dizer que a mídia é a grande responsável por esse processo é equivocar-se. A hegemonia pentecostal, o capitalismo globalizado e a lógica do mercado também operaram na produção de uma nova expressão cultural religiosa – a cultura gospel”, defendeu a doutora em ciências da comunicação Magali do Nascimento Cunha no artigo “A Serviço do Rei” da “Revista de Estudos da Religião”.


“Quando Jesus expulsou os vendilhões do templo, já havia uma crítica à mercantilização da religião, mas as pessoas querem estacionamento na igreja, cadeiras estofadas no lugar dos bancos de madeira e ar-condicionado nos templos. O fiel gosta de ser cuidado, mas sempre tem quem teime em separar o espírito da matéria”, afirma o teólogo católico Antonio Kater.


Fonte:http://www.pavablog.com/2013/01/05/a-industria-da-salvacao/

Peso político e poder de consumo impulsionam presença dos evangélicos na TV



O final dos anos 1980 e o início dos anos 1990 foram marcados pelo estranhamento em relação aos evangélicos por parte da grande imprensa e das grandes redes abertas --Globo, Manchete, SBT, em especial, após a compra da Rede Record por Edir Macedo, bispo e fundador da Igreja Universal do Reino de Deus.

Muitos se perguntavam quem era esse grupo e como ele havia alcançado essa visibilidade, num país até então majoritariamente católico.

O sentido das coberturas era em geral ofensivo, de reportagens investigativas, com câmeras escondidas, entrevistas com dissidentes, retratando de forma negativa a relação entre alguns grupos de evangélicos (os chamados neopentecostais) e a arrecadação de dízimos e ofertas.

Reportagens mostrando cultos da Universal em estádios, com sacos de dinheiro sendo abençoados, foram mostrados de forma demonizadora, sendo contrapostas a depoimentos de outros líderes religiosos que condenavam a prática, afirmando que isso não era cristianismo.

O período de 1989 a 1995 foi marcado por uma espécie de "guerra santa", que culmina com o "chute na santa", dado por um pastor da Universal no dia de Nossa Senhora Aparecida, em 12 de outubro de 1995. Nesse período, vemos vários veículos de comunicação demonizando os neopentecostais, o que "respinga" em outros grupos evangélicos que não são identificados com esse grupo.

Ressalto a minissérie "Decadência", veiculada pela Globo em setembro de 1995, escrita por Dias Gomes, em que Edson Celulari interpretava um pastor sem escrúpulos, além da própria cobertura dada pela Globo, uma emissora tradicionalmente simpática ao catolicismo, por conta do chute na santa.

Observamos que, nos últimos cinco anos, a Globo tem se aproximado deste público, porque tem lhe conferido não somente um peso de formação de opinião, mas também de mercado consumidor.

Agora há o Festival Promessas, o selo da Som Livre para música cristã contemporânea --que reúne artistas evangélicos e católicos, que já tocaram no Faustão e tiveram música em trilha sonora de novela.

Da quase ausência de cobertura de eventos evangélicos, como a Marcha para Jesus, para a cobertura no "Jornal Nacional" dos cem anos da Assembleia de Deus (2011), da Marcha para Jesus, e mesmo dos protestos feitos por Silas Malafaia contra o projeto de lei 122/06 (contra a homofobia), vemos uma mudança de atitude significativa.

É importante destacar que a bancada evangélica cresceu no Congresso (e que tem se aproximado do governo desde a administração Lula), cresceu o poder aquisitivo de muitos
evangélicos que ocupavam a chamada classe C e aumentou a mobilização de parcelas de evangélicos nas redes sociais, o que dá maior voz e visibilidade para esse grande e heterogêneo conjunto religioso denominado "evangélico".

Se antes o evangélico era retratado de forma demonizada --no caso das lideranças-- ou paternalista --no caso do fiel, retratado como um sujeito vulnerável aos ataques de líderes inescrupulosos--, atualmente vemos um retrato mais positivo, mas ainda longe da sua grande diversidade. São retratados como sujeitos religiosos que merecem respeito, que votam, que consomem e são exigentes na qualidade do que lhe é oferecido.

A aproximação se dá mais pela música, pela figura feminina de artistas como Ana Paula Valadão (que recentemente cantou no "Encontros com Fátima Bernardes") e Aline Barros, e até por programas como "Sagrado", que traz diferentes lideranças religiosas para falar sobre diversos assuntos da vida e da morte.

É uma aproximação ainda cuidadosa, que não livra a Globo dos deslizes de chamar os cantores evangélicos de "estrelas da música gospel" (a crença rejeita qualquer alusão a idolatria), mas perto de como era --e não era-- antigamente, é um grande avanço, que é comemorado por muitos evangélicos nas redes sociais.

Lembro-me de como a ida de Aline Barros ao "Domingão do Faustão" foi comemorada por blogs e em comunidades evangélicas no Orkut. Como o universo evangélico é muito diversificado, é difícil pontuar que só há desconfiança em relação à iniciativa da Globo em se aproximar deste grupo; a Record procura galvanizar a atenção dos "evangélicos" como um todo, oferecendo programação religiosa, mas não há unanimidade entre os evangélicos em relação ao que essa emissora produz.

Acredito que as redes sociais têm ajudado a conferir maior visibilidade; o próprio uso da mídia feito por grupos evangélicos tem conferido também esta visibilidade,
seja em termos de evangelização, seja nas campanhas eleitorais e até nas ameaças de boicote a novelas da Globo, como "Salve Jorge".

Agora, uma das características ligadas historicamente a uma suposta "identidade evangélica" no Brasil é essa idéia de estar afastado da grande sociedade católica ou secular; essa ideia de "estar no mundo, mas não pertencer a ele".

O reconhecimento maior que a grande mídia tem oferecido aos evangélicos traz alguns desafios a essa autoimagem evangélica, pois dentro desse grupo heterogêneo destaca-se o desejo de vigiar de perto o que a grande mídia fala sobre ele, tendo em vista todo o histórico de agressões e perseguições empreendidas.

Então, destaca-se essa autoimagem positiva, de povo honesto, trabalhador, que canta, louva, veste-se de forma elegante, mas sem ostentação; que é igual a todo mundo no dia a dia, e que leva sua crença muito a sério, pois enxerga na própria vida um testemunho a ser dado para quem não é evangélico --a ideia de ser "sal da terra, luz do mundo".



Fonte: Folha

domingo, 6 de janeiro de 2013

Habilidades do Camelo




Uma mãe e um bebê camelo estavam por ali, à toa,
quando de repente o bebê camelo perguntou:
- Mãe, mãe, posso te perguntar umas coisas?
- Claro! O que está incomodando o meu filhote?
- Por que os camelos têm corcova?
- Bem, meu filhinho, nos somos animais do deserto,
precisamos das corcovas para reservar água e por isso
mesmo somos conhecidos por sobreviver sem água.
- Certo, e por que nossas pernas são longas e
nossas patas arredondadas?
- Filho, certamente elas são assim para permitir
caminhar no deserto. Sabe, com essas pernas eu posso
me movimentar pelo deserto melhor do que qualquer um!
- disse a mãe, toda orgulhosa.
- Certo! Então, por que nossos cílios são tão longos?
De vez em quando eles atrapalham minha visão.
- Meu filho! Esses cílios longos e grossos são
como uma capa protetora para os olhos.
Eles ajudam na proteção dos seus olhos quando
atingidos pela areia e pelo vento do deserto!
- disse a mãe com orgulho nos olhos.
- Tá. Então a corcova é para armazenar água enquanto
cruzamos o deserto, as pernas para caminhar através
do deserto e os cílios são para proteger meus olhos do deserto....
Misericórdia! Então que estamos fazendo aqui no Zoológico?

Moral da história:
"Habilidade, conhecimento,
capacidade e experiência são úteis
se você estiver no lugar certo".

Assuma a posição espiritual que Deus tem te dado, ore, clame
e se posicione, sai do Zoológico espiritual e enfrente seu deserto.

VINACC e UBE realizam 1º Encontro de Blogueiros Evangélicos




Uma das novidades de 2013 da 15ª edição do Encontro para a Consciência Cristã, evento realizado em Campina Grande/PB que reúne evangélicos de todo o Brasil para exaltar a pessoa de Cristo, será o 1º Enblogue (Encontro Nacional de Blogueiros Evangélicos), organizado pela VINACC e pela UBE – União de Blogueiro Evangélicos.

Entre os palestrantes do evento estão blogueiros consagrados como Norma Braga, Pr. Renato Vargens, Pr. Altair Germano, Pr. Carlos Roberto Silva, Valmir Nascimento Milomem e Vinícius Pimentel. As palestras vão abordar a gênese e a importância da blogosfera cristã; O futuro da igreja brasileira e a influência para a Teologia Cristã (Apologética e Cosmovisão); A qualificação dos blogueiros; Blogs e liderança intelectual. Uma das apresentações vai discorrer sobre como fazer posts se transformarem em livro. Ao final, haverá uma mesa redonda com a participação de todos os preletores.


De acordo com um dos Coordenadores do I Enblogue, Valmir Nascimento Milomem, o objetivo do evento é discutir o papel dos blogs dentro do atual contexto da igreja cristã. Segundo Valmir, os blogs são um dos principais meios de comunicação da atualidade e tem influenciado vários setores da sociedade como política, jornalismo, educação e produção de conhecimento. Dessa forma, o I Enblogue visa debater esse assunto à luz da teologia cristã e trazer princípios bíblicos e estratégias para que a mensagem cristã produza verdadeiro impacto na internet.


A expectativa dos organizadores é que blogueiros de vários Estados da federação participem deste evento inédito, e que as palestras e discussões sirvam como referencial para tornar a blogosfera evangélica mais coesa, aumentando a sua influência na sociedade.


A décima quinta edição do “Consciência Cristã” terá ao todo 25 eventos simultâneos, com espaço para todos os públicos e idades. De acordo com a coordenação, cerca de 60 mil pessoas devem visitar o evento durante os sete dias de programação. A montagem da estrutura começará na primeira semana do próximo mês.


O I Enblogue será realizado no dia 09 de fevereiro de 2013 e a inscrição é gratuita.



Visite Uniao de Blogueiros Evangelicos em: http://www.ubeblogs.com.br/?xg_source=msg_mes_network

LANÇAMENTO DO MEU LIVRO, EM BREVE

Postagens Recentes